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MÉTODOS DE CONTROLE DE ESPÉCIES EXÓTICAS INVASORAS


Contexto

Os métodos de controle de espécies exóticas invasoras são agrupados em quatro categorias principais: mecânico, químico, biológico e ambiental.

As soluções para problemas de invasão biológica em geral estão no uso combinado desses métodos, pois cada situação é diferente e cada espécie reage ao controle de forma diferente. Assim sendo, não existe uma receita pronta e é preciso compreender as variáveis ambientais e o comportamento da espécie em questão para definir o método mais adequado.

Controle mecânico ou físico

Refere-se ao uso de ferramentas mecânicas para corte e remoção de plantas invasoras. Os métodos incluem roçada, corte com machado, foice ou motosserra, anelamento e arranquio manual ou com enxadão.

Esses métodos funcionam bem para espécies do gênero Pinus, que dificilmente rebrotam após o corte, a menos que as plantas estejam em fase muito inicial de desenvolvimento, em geral com menos de um ou dois anos de idade.

 


Controle mecânico de Ligustrum japonicum
Também são muito úteis para plantas que não devem ser arrancadas e que perdem vigor à base de roçadas, como o beijo (Impatiens walleriana).

Por outro lado, esses métodos não têm eficiência para plantas com capacidade de rebrota após o corte. O uso de métodos mecânicos em plantas com rebrotamento é inadequado e tende a aumentar o grau de dificuldade do controle no futuro, já que o número de troncos pode aumentar em mais de dez vezes.

Essas espécies requerem, portanto, o uso de controle mecânico combinado com outros métodos, sendo em geral associados ao controle químico.

Controle químico

Pressupõe o uso de produtos químicos para controlar espécies exóticas invasoras. Embora possa parecer ruim, herbicidas, graminicidas e outros venenos são na realidade ferramentas importantes para a conservação da diversidade biológica e para viabilizar processos de restauração ambiental.

É importante esclarecer que o uso desses produtos é feito de maneira muito distinta do uso agrícola. A aplicação é na grande parte dos casos tópica, ou seja, muito localizada, o que viabiliza o total controle de impactos paralelos. Experiências de controle de espécies exóticas invasoras que fazem uso de controle químico demonstram que seu uso traz melhores resultados do que a insistência em usar métodos mecânicos que não são eficientes para espécies que rebrotam. Quanto maior a eficiência do controle, mais rapidamente é viável que o ambiente seja restaurado e menor a interferência humana no local ao longo do tempo.


Eliminação de dendê (Elaeis guineensis) em área de floresta ciliar na Bahia sem impacto sobre as demais plantas

Os métodos mais comuns de controle químico são combinados ao controle mecânico: corte de plantas e aplicação de herbicida no toco; anelamento e aplicação de herbicida na base do anel para evitar rebrote e acelerar o processo de eliminação das invasoras; aspersão em gramíneas, especialmente em áreas de alta dominância e perda intensa de biodiversidade nativa; aplicação por contato somente nas plantas invasoras quando misturadas a plantas nativas.

O controle químico deve ser realizado sempre com uso de corante para marcar os locais de aplicação. Esse procedimento leva à economia do produto e ajuda a evitar acidentes, pois se houver vazamento ou contato com os aplicadores é fácil visualizar as áreas atingidas.

Também é importante destacar que a tecnologia desses produtos mostra avanços consideráveis ao longo do tempo, havendo produtos disponíveis de baixo impacto ambiental, baixa residualidade e rápida decomposição.

Exemplos que comprovam a ausência de impactos paralelos estão nas fotos abaixo:

Muda de capororoca ao lado de toco de alfeneiro (Ligustrum lucidum) no momento do corte e tratamento químico com corante azul. Muda de capororoca ao lado de toco de alfeneiro (Ligustrum lucidum) 3 semanas após a aplicação
do herbicida, sem dano.


Controle biológico

Usa inimigos naturais da espécie invasora para manter baixo o nível populacional da espécie e dessa forma reduzir o dano e tornar a presença da espécie tolerável.

Embora muitas pessoas sejam reticentes ao uso de controle biológico em função de experiências mal conduzidas e, portanto, mal sucedidas, esse método é crucial para a solução de problemas de invasão em larga escala e pode ajudar a compatibilizar sistemas produtivos com a conservação da biodiversidade.

Os inimigos naturais são em geral identificados no ambiente de origem da espécie exótica invasora e introduzidos ao ambiente onde a mesma está causando problemas. Esses inimigos naturais são predadores muito específicos da espécie invasora em questão e não se alimentam de outras espécies. Ocorre sempre uma flutuação populacional: se o número de plantas invasoras aumenta, a população de agentes de controle biológico também aumenta em função da oferta de alimento; quando o número de plantas diminui, a população do agente também diminui, levando a novo aumento do número de plantas, e assim sucessivamente.

O controle biológico não leva à erradicação da espécie exótica invasora, mas serve para manter a população num nível controlado. Por isso o agente de controle sempre tem alimento e não se volta a outras espécies nativas. É fundamental que os testes de especificidade sejam bem realizados anteriormente e que os agentes de controle a serem introduzidos passem por tempo de observação para garantir que o processo seja conduzido de forma segura.

Controle da dispersão de sementes de acácia-negra

Na África do Sul foram introduzidos gorgulhos predadores de sementes de Acacia mearnsii (acácia-negra) para reduzir a dispersão de sementes e o grau de invasão da espécie. Dessa forma buscou-se compatibilizar a produção de lenha e taninos com a conservação da biodiversidade.


Controle de aguapé no Lago Vitória, Quênia

A invasão de Eicchornia crassipes (aguapé) é um problema ambiental grave no Lago


Invasão de aguapé (Eicchornia crassipes) no Lago Vitória, na África Oriental.
Vitória. Chegou como planta ornamental e tomou conta de até 70% da superfície do lago, impedindo a navegação e a comunicação entre comunidades. Com a introdução de agentes de controle biológico a população foi reduzida a 30%, um nível aceitável.

Controle ambiental

Refere-se à restauração das condições ambientais do meio para dar-lhe maior resistência a processos de invasão. Quando a invasão exerce sobre o ambiente uma pressão de dominância grande é comum que processos de restauração sejam necessários, envolvendo o replantio de espécies nativas, descompactação de solos, semeadura de espécies nativas para cobertura de solo e outras técnicas.

Estes métodos visam apenas devolver ao meio uma condição mais favorável à recolonização por espécies nativas do ecossistema e assim dificultar a entrada de espécies exóticas invasoras.

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