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Desenvolvimento
sustentável na Reserva Biológica do Ibirapuitã-RS
Instituto Hórus e IDEAAS implantam plantio
comercial com espécies nativas
O projeto de Desenvolvimento Sustentável no entorno
da Reserva Biológica do Ibirapuitã, em Alegrete
- RS, financiado pelo PROBIO / Ministério do Meio
Ambiente, já implantou duas áreas de produção
com uma mistura de vinte espécies nativas da Floresta
Estacional Decidual. Os plantios foram implantados em área
da Universidade Rural da Campanha - URCAMP e têm por
objetivo demonstrar aos produtores rurais que é possível
utilizar espécies nativas para diversas finalidades,
entre elas a produção de lenha e madeira,
com safras periódicas e construção
de um sistema sustentável em que não se pratica
corte raso e se define, ao longo do tempo, um número
de árvores a serem utilizadas por ano, com reposição
a cada corte.
Estudos regionais mostram que o preço oferecido por
um metro cúbico de espécies nobres, como cedro,
canjerana, louro e ipê chega a ser seis vezes maior
do que o preço de pinus ou eucaliptos, tradicionais
espécies exóticas utilizadas na produção
florestal no Brasil.
Assim, embora popularmente se diga que espécies nativas
têm crescimento lento, ainda que fosse verdade absoluta
o preço compensaria a menor produtividade. Essa afirmação
comparativa só tem sentido quando se compara espécies
de um mesmo grupo ecológico, ou seja: pinus e eucaliptos
são espécies pioneiras, primeiras colonizadoras
de áreas abertas, e seu crescimento rápido
é análogo a muitas espécies pioneiras
brasileiras, que estabelecem a primeira fase de cobertura
da floresta. Espécies nobres pertencem a outro grupo
ecológico, referente à florestas maduras,
por isso têm crescimento mais lento - porém
a qualidade é proporcionalmente maior, assim como
o preço. E carecem de processos de seleção
e melhoramento genético, que sem dúvida têm
muito a acrescentar à capacidade natural de produção
das espécies.
Os projetos de plantio foram registrados no IBAMA e na SEMA/Departamento
de Florestas e Áreas Protegidas do Rio Grande do
Sul, de forma a viabilizar o uso posterior. Estudos de crescimento
e de viabilidade econômica estão sendo conduzidos
em paralelo, de modo a fornecer aos produtores uma perspectiva
de rentabilidade.
A alternativa apresenta ainda as vantagens de recompor áreas
antigamente florestadas, qualificar a paisagem para atividades
de ecoturismo e eliminar da produção florestal
o viés das invasões biológicas, segunda
maior causa de perda de biodiversidade no planeta. Além
disso, um dos módulos implantados visa eliminar da
área o capim annoni (Eragrostis
plana), gramínea africana invasora na região,
por efeito de sombreamento.
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