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PERGUNTAS FREQÜENTES SOBRE ESPÉCIES EXÓTICAS INVASORAS

1. Como abordar invasões biológicas quando os animais usam árvores exóticas invasoras como abrigo?

2. Agentes de controle biológico poderiam atacar espécies nativas?

3. A erosão que pode ocorrer após a remoção de espécies exóticas invasoras não agrava o problema?

4. Podemos realmente gastar grandes somas de dinheiro na remoção de espécies exóticas invasoras?

5. Os herbicidas usados no controle de plantas exóticas invasoras não causam impactos ainda mais graves?

6. O uso de herbicidas no controle de espécies exóticas invasoras não é perigoso para a fauna, especialmente para anfíbios?

7. Que tipo de espécie é considerada uma ameaça?

8. Os plantios florestais são os principais culpados da dispersão de plantas exóticas invasoras?

9. Podemos ter certeza de que estamos trabalhando de forma correta ao remover invasoras de grandes áreas?

10. Devemos remover espécies exóticas invasoras que trazem benefícios à sociedade ou à economia?

11. Como posso ajudar?


1. Como abordar invasões biológicas quando os animais usam árvores exóticas invasoras como abrigo?
Agrupamentos de plantas exóticas invasoras em alguns casos provêem hábitat para pássaros ou outros animais. Exemplos incluem pássaros que fazem ninhos em árvores grandes e animais que se alimentam dos frutos dessas árvores. A questão é que muito mais espécies nativas são deslocadas por espécies exóticas invasoras do que beneficiadas por elas. Muitas das espécies nativas deslocadas são raras ou endêmicas, enquanto que as poucas espécies que encontram abrigo em plantas exóticas invasoras com freqüência não são nativas ou não são consideradas prioridades para conservação.
Estudos em longo prazo realizados fora do Brasil, como na África do Sul, demonstram que a remoção de espécies de plantas invasoras que servem de alimento para a fauna gera aumento de diversidade biológica tanto de animais quanto de plantas, pois permite que o sistema natural reequilibre as populações. A dominância de algumas espécies de flora exótica que alimentam animais favorece essas poucas espécies e leva a desequilíbrios populacionais, pois a grande parte das espécies que não encontra benefício nas invasoras perde hábitat e alimento.

2. Agentes de controle biológico poderiam atacar espécies nativas?
Não. Antes que agentes de controle biológico sejam liberados, eles são submetidos a um período de quarentena, ou seja, de confinamento para que seu comportamento seja observado e testado com relação a plantas exóticas e nativas. Durante esse tempo, eles são cuidadosamente estudados para se ter certeza que atacarão somente a espécie exótica invasora alvo do controle e que completarão seu ciclo de vida e se reproduzirão somente nessa espécie alvo. Qualquer agente de controle biológico que, de alguma forma, for capaz de causar dano a espécies nativas ou a outras espécies de importância econômica é rejeitado para uso em controle biológico.

3. A erosão que pode ocorrer após a remoção de espécies exóticas invasoras não agrava o problema?
Existe sempre a preocupação de que as operações de controle de espécies exóticas invasoras possam gerar erosão se os lugares não forem eficientemente restaurados. Essa preocupação é procedente e por isso é importante incorporar ações de restauração e conservação de solos ao controle de invasoras. Também é verdade, porém que a invasão de ecossistemas por espécies exóticas invasoras que facilitam incêndios tendem a resultar em grave erosão após queimadas, deixando o solo suscetível à erosão. De uma forma ou de outra, a permanência das invasoras acarreta prejuízos mais sérios e mais difíceis de resolver ao longo do tempo, de modo que a omissão ao controle pesa mais negativamente do que o risco de erosão, que pode ser contornado durante as operações de controle.

4. Podemos realmente gastar grandes somas de dinheiro na remoção de espécies exóticas invasoras?
Todos os estudos econômicos feitos até o presente indicam que operações de remoção de espécies exóticas invasoras trazem bom custo-benefício e são processos econômicos quando comparados com projeções futuras. Na maioria dos estudos, está conclusão vêm sendo alcançada sem mesmo considerar os benefícios adicionais para a estabilidade de processos ecológicos, biodiversidade e criação de empregos. Estudos também mostram que a remoção na fase inicial da invasão é muito mais eficiente em termos econômicos do que quando se permite a expansão da invasão. Dados os impactos em longo prazo e considerando que as invasões tendem a chegar a um ponto em que não é mais possível evitar o controle de invasoras, assim como que os custos aumentam exponencialmente com o aumento da invasão, a pergunta mais adequada é se podemos realmente não gastar na remoção de invasoras!

5. Os herbicidas usados no controle de plantas exóticas invasoras não causam impactos ainda mais graves?
Não. A solução desse problema está em que o uso de herbicida para controle de espécies exóticas invasoras é feito de forma muito pontual e sem contaminação do ambiente circundante. Apenas em caso de ambientes totalmente dominados por invasoras é que se usa, por vezes, fazer aplicações em maior escala. Ainda assim, impactos pontuais são infinitamente menores e de menor gravidade em médio prazo do que a permanência de espécies exóticas invasoras, de modo que há um nível de tolerância que precisa ser ponderado em cada ação de manejo. Apenas herbicidas registrados legalmente são usados para ações de controle. Antes de serem registrados para uso, todos os herbicidas passam por análises ambientais e de saúde humana severas. É preciso ainda ressaltar que a tecnologia tem feito grandes avanços no sentido de que o tempo de permanência dos produtos no ambiente é pequena e a toxicidade ambiental é menor. Muitos desses produtos são importados e produzidos em países onde os padrões de qualidade ambiental são elevados. Alguns herbicidas permanecem ativos durante 30 a 45 dias apenas e não afetam a fisiologia animal.
Quem tem oportunidade de participar de trabalhos de controle com uso de herbicidas facilmente compreende o quanto são importantes no manejo de invasoras e como os impactos paralelos podem ser contidos. Os produtos são em geral aplicados no toco de árvores cortadas para impedir sua rebrota, sendo que o tempo de degradação do produto químico é muito menor do que o tempo de decomposição da madeira onde foi aplicado.
Restrições ao controle químico muitas vezes impedem o controle de espécies exóticas invasoras e podem levar à perda de ambientes naturais e de biodiversidade. Leia mais

6. O uso de herbicidas no controle de espécies exóticas invasoras não é perigoso para a fauna, especialmente para anfíbios?
O que diferencia o problema de uso de herbicidas para controle de espécies exóticas invasoras que impactam a biodiversidade são alguns fatores:
a) os volumes utilizados na agricultura e para fins ambientais são incomparáveis, já que no controle de exóticas invasoras os tratamentos
são de pequeno volume.
b) as aplicações de herbicida são extremamente localizadas. O tratamento mais comum é de aplicação no toco de plantas cortadas,
sendo perfeitamente possível evitar escorrimento e fazer o tratamento sem deixar qualquer resíduo paralelo.
c) as aplicações são feitas com uso de corante, o que confere ao aplicador e aos supervisores total clareza de uso inadequado, melhora muito a precisão da aplicação porque à medida que o produto é aplicado as áreas afetadas são tingidas de cor e diminui o uso em volume, pois o aplicador enxerga que já cobriu a área desejada.
d) no caso de tratamentos em gramíneas, há duas possibilidades de aplicação evitando impactos: a primeira é de preparação com roçada, aplicando-se o produto apenas no momento em que as gramíneas começam a brotar, então diretamente sobre o "pé" da touceira e, se houver vento, com cone aplicador para evitar a deriva; a segunda é de usar uma vassoura química, que é uma barra de cano com uma corda molhada de herbicida que é passada com um trator ou um carrinho (como se fosse uma máquina de cortar grama) a uma altura ajustável do solo (30 ou 40cm) para que somente toque nas gramíneas que se quer eliminar, sem fazer escorrimento ou tocar o solo.

É com base nessas tecnologias desenvolvidas justamente para evitar impactos que se recomenda o controle de invasoras em diferentes ambientes e situações, sempre com algum treinamento de campo anterior para que as pessoas possam compreender a diferença de se trabalhar com esses produtos para fins de conservação ambiental.

7. Que tipo de espécie é considerada uma ameaça?
Todos os grupos biológicos têm espécies com potencial de invasão. Em alguns países, como a África do Sul, a preocupação maior está nas árvores invasoras, que usam mais água do que os ecossistemas naturais e levam à depleção dos recursos hídricos. O mesmo risco existe no Brasil com a conversão intensiva e a invasão de campos e cerrados em monoculturas florestais.
No Brasil já sabemos que há espécies invasoras em todos os ecossistemas terrestres, de água doce e marinhos. Medidas de prevenção para evitar a entrada de novas espécies invasoras são necessárias para evitar impactos futuros e ações de controle são fundamentais para mitigar os impactos já existentes.
Certas plantas têm capacidade de alterar processos ecológicos e atrapalhar o funcionamento dos ecossistemas. Essas são sempre as que mais preocupam e são denominadas de “transformadoras”. Essa distinção entre espécies ajuda as autoridades a estabelecer prioridades para controle, erradicação e regulamentação em caso de terem uso econômico.
As características comuns de espécies exóticas invasoras, independente do tipo de organismo, estão na facilidade e rapidez com que se reproduzem, na proliferação intensa, na flexibilidade adaptativa e na capacidade de dominarem os ambientes que invadem, expulsando espécies nativas e alterando ecossistemas.

8. Os plantios florestais são os principais culpados da dispersão de plantas exóticas invasoras?
Não. Plantios florestais contribuem com uma porção das invasões e vão diminuir à medida que as empresas gradativamente incorporem práticas adequadas de manejo e controle de invasões. Na região dos campos gerais do Paraná, por exemplo, a maior fonte de dispersão de Pinus elliottii e Pinus taeda são as árvores plantadas nas décadas de 50 e 60 ao longo das rodovias para fins estéticos. As estradas são facilitadoras da dispersão de espécies exóticas e também requerem manejo específico para dirimir impactos a ecossistemas naturais.
Ainda assim, plantios florestais que usam espécies exóticas invasoras para a produção de polpa, papel ou madeira, acoplados à conversão de ambientes naturais, são sem dúvida motivo de preocupação e precisam ser manejados cuidadosamente tanto no aspecto da dispersão de espécies como no consumo de água, especialmente quando inseridos em ecossistemas campestres.

9. Podemos ter certeza de que estamos trabalhando de forma correta ao remover invasoras de grandes áreas?

Sim. Uma abordagem responsável de manejo ambiental exige que se proceda com a melhor informação disponível. No caso de espécies exóticas invasoras, especialmente, não agir tem em geral impactos mais significativos do que iniciar o controle com pouca informação e ir fazendo adaptações ao longo do processo, que também é um aprendizado. Por isso a abordagem do manejo adaptativo é a mais indicada: o controle é iniciado e as ações são registradas cuidadosamente para facilitar a interpretação dos resultados e possibilitar a adaptação dos métodos até que sejam efetivos e produzam baixo impacto paralelo ao ambiente.
Os impactos de plantas exóticas invasoras são tão significativos que garantem a validade de operações de remoção em grande escala, mesmo que seu sucesso não seja sempre garantido. Não é possível nem viável do ponto de vista biológico esperar até que haja experiência científica nos mais diversos ecossistemas, mesmo porque somente o manejo em escala tende a suprir essa experiência. Os impactos crescem diariamente à medida que as espécies exóticas se dispersam alcançam proporções de alto custo e difícil reversibilidade. É preciso agir o mais rápido possível e ajustar o controle até que tenha sucesso, pois o trabalho dessa forma tem maior chance de sucesso e menores custos.

10. Devemos remover espécies exóticas invasoras que trazem benefícios à sociedade ou à economia?

Está é sempre uma pergunta importante e tem uma resposta variável. Sempre existem argumentos para manter espécies que geram benefícios em forma de lenha, alimento ou geração de renda. Entretanto, é preciso avaliar esses benefícios criticamente e compará-los aos custos gerados por escapes e processos de invasão, para embasar as decisões nesses resultados. Se os custos, que precisam incluir custos de serviços ambientais assim como de controle e danos a outros setores produtivos, forem maiores que os benefícios, a remoção pode ser justificada.
Por outro lado, se for possível manter uma espécie exótica invasora em regime de manejo controlado, sem causar impacto a ecossistemas naturais e com dispersão controlada, ela pode ficar em uso. Esse nível de controle é mais fácil de obter para plantas cujas sementes são dispersadas pelo vento ou que se reproduzem de forma vegetativa. No caso de animais, o cultivo sem escape para ambientes circundantes é praticamente impossível, conforme atestam os problemas de invasão por espécies introduzidas para criação em cativeiro, como tilápia, carpa, bagre africano e truta, caramujo gigante africano e rã touro. Além de causarem danos graves a ecossistemas naturais e à fauna nativa, essas espécies são de difícil controle e a erradicação é praticamente inviável, o que implica em custos permanentes de controle que sem dúvida somarão, ao longo dos anos, maiores valores e prejuízos à sociedade do que como benefícios a pequenos grupos de beneficiados.
A questão crucial nessa análise é verificar quem se beneficia do lucro comercial e quem paga a conta no caso de haver um problema. O benefício fica em geral com pequenos grupos que dificilmente assumem a responsabilidade de cultivo responsável, enquanto que os danos ambientais e processos de restauração são custos compartidos pelo governo e, portanto, pela sociedade civil. Também é comum que grandes investidores fiquem com os benefícios e que pequenos produtores em áreas rurais arquem com prejuízos que variam entre a remoção de invasoras de suas propriedades até a perda de água e de nascentes em função dos grandes cultivos. Essas perdas são irreparáveis e requerem uma visão balanceada e justa na repartição de benefícios do uso da biodiversidade.

11. Como posso ajudar?
Se você é proprietário de terras, precisa assumir a responsabilidade de manutenção ecológica de sua propriedade. Verificar se espécies exóticas invasoras ocorrem em sua propriedade e que opções você tem para removê-las ou mantê-las sob controle é um primeiro passo importante. Pratique a limpeza de espécies exóticas invasoras e não cultive espécies que não tem condições de controlar. Plantas cujas sementes são dispersadas por animais não devem ser cultivadas.
Você também pode aprender sobre as plantas ornamentais que têm em seu jardim e procurar utilizar espécies nativas que trazem benefício à biodiversidade e à manutenção do funcionamento dos ecossistemas. Não cultive plantas invasoras.
Da mesma forma, se você mantém animais de estimação, jamais os liberte na natureza. Até mesmo cães e gatos são vorazes predadores de espécies nativas e devem ser contidos e bem alimentados para que se reduza seu instinto de caça. Controle a prole de seus animais de estimação e jamais abandone animais para que sobrevivam por conta própria.
Você pode ajudar a gerar um melhor nível de conscientização pública sobre invasões biológicas. Também pode visitar unidades de conservação que mantenham programas de trabalho voluntário para controle de espécies exóticas invasoras, como o Parque Estadual de Vila Velha, em Ponta Grossa, estado do Paraná.

Contribua com dados para a base de dados nacional de espécies exóticas invasoras.

Se tiver mais interesses nessa questão, fale conosco.