| PEIXES
Características
Gerais
Os peixes são animais aquáticos que pertencem
a Superclasse Pisces, Subfilo Vertebrata, filo Chordata.
Constituem a maioria dos vertebrados, e embora estejam classificados
como um grupo comum, não representam uma classe homogênea.
Exibem uma grande diversidade morfológica e de ciclos
de vida, de acordo com os habitats que ocupam. Ainda que
representem um grupo heterogêneo, apresentam uma continuidade
filogenética, ou seja, uma seqüência evolutiva
que determinou o aparecimento das formas de vida hoje existentes.
Atualmente, são reconhecidos 24.618 espécies
de peixes e o número de novas espécies descritas
anualmente excede o número de novas espécies
de tetrápodes (anfíbios, aves, répteis
e mamíferos, em conjunto). As espécies de
peixes vivos compõem 57 ordens, sendo que 21 são
exclusivamente marinhas (1.638 espécies) e 10, exclusivamente
de água doce (4.320 espécies).
Classificação
Alguns autores restringem o uso do termo “peixe”
apenas aos peixes ósseos com mandíbulas, porém,
outros incluem também os tubarões e raias,
que são cartilaginosos. Sob o ponto de vista da sistemática
filogenética, a categoria “peixe” é
artificial, pois eles não possuem um mesmo ancestral
comum (portanto se chama parafilética) e talvez o
único grupo com o mesmo ancestral comum (monofilético)
de peixes seja a Classe Actinopterygii, de peixes ósseos
com mandíbulas e com nadadeiras sustentadas por filamentos
rígidos. Entretanto, essa classificação
filogenética ainda não é completamente
aceita (apesar de utilizar a melhor fundamentação
teórica conhecida – Cladística), ou
mesmo bem divulgada.
Para entendimento geral, entretanto, os peixes podem ser
divididos em três grandes grupos não monofiléticos:
peixes considerados “primitivos”, que não
possuem mandíbula, chamada Superclasse Agnatha; Classes
Chondrichthyes e Osteichthyes (alguns Sarcopterygii e todos
Actinopteryggi).
Curiosidades: tipos de peixes
Os peixes podem ser classificados pela forma do corpo e
papel ecológico.
Os predadores de perseguição
(atuns e marlins, por exemplo) são geralmente de
grande tamanho, em forma de torpedo, com as nadadeiras espaçadas
ao longo do corpo, para facilitar as manobras.
Os predadores do tipo “senta-e-espera”
(como as barracudas) também possuem o corpo em forma
de torpedo, mas as nadadeiras são geralmente concentradas
no final do corpo para possibilitar-lhes executar fortes
acelerações repentinas para surpreender presas
ou mesmo fugir de predadores.
Os peixes orientados para a superfície, ou peixes
voadores, possuem, freqüentemente, a boca
orientada para cima para capturar presas que se distribuem
na superfície, além de coloração
clara no ventre e escura no dorso, o que dificulta a percepção
dos seus predadores.
Por outro lado, os peixes de fundo são
muito variáveis em forma, culminando com os linguados,
achatados lateralmente, com um dos lados em contato com
o fundo, característica essa marcada pela migração
do olho “direito” para o lado “esquerdo”,
durante o desenvolvimento larval.
Os peixes em forma de disco,
como os peixes-borboleta, são fortemente achatados
lateralmente e, embora não atinjam grandes velocidades,
esta forma de corpo lhes confere uma grande capacidade de
manobras entre plantas, galhos e corais.
Por último, pode-se destacar os peixes em forma de
enguia, que são bem adaptados à
locomoção em tocas e fendas, como é
o caso das moréias.
Espécies Exóticas Invasoras
Como as espécies se tornam invasoras?
De maneira geral, a extensão geográfica de
muitas espécies é limitada por barreiras climáticas
e ambientais, que impossibilitam a sua dispersão.
Como resultado de tal isolamento geográfico, os padrões
de evolução têm ocorrido de modo diverso
em todo o mundo. A biota da região da Austrália
e Nova Guiné, por exemplo, é surpreendentemente
diferente daquela ocorrida na região adjacente do
sudoeste da Ásia (PRIMACK & RODRIGUES, 2001).
O homem rapidamente alterou e continua alterando esses padrões
de isolamento, transportando espécies pelo mundo.
Já em tempos pré-industriais, as pessoas transportavam
plantas cultivadas e animais domésticos, de lugar
para lugar, ao se estabelecerem em novas áreas de
plantação e colonização. Animais
como cabritos e porcos eram deixados pelos marinheiros europeus
em ilhas ainda não habitadas, para garantir seu alimento
quando retornassem a esses lugares. Como conseqüência,
um grande número de espécies foi introduzido,
deliberadamente ou acidentalmente, em áreas onde
não eram nativas (GROVE, 1988).
A grande maioria das espécies exóticas não
consegue se estabelecer nos locais onde foram introduzidas,
já que o novo ambiente não está adequado
às suas necessidades específicas. Entretanto,
uma certa porcentagem dessas espécies consegue se
estabelecer em novas áreas, e muitas delas crescem
em abundância às custas de espécies
nativas.
Impactos
O problema não é apenas a introdução
da espécie exótica em si, mas os danos que
esta pode causar quando a espécie consegue ultrapassar
as barreiras físicas, biológicas e ambientais
que restringiam sua dispersão, tornando-se uma espécie
invasora (MYERS & BAZELY, 2003).
Espécies exóticas podem deslocar espécies
nativas através de competição por recursos
naturais como alimento ou espaço para reprodução.
Espécies animais introduzidas podem ser predadoras
de espécies nativas e levá-las à extinção,
ou alterar o seu habitat a tal ponto que muitas destas espécies
não conseguem subsistir (PRIMACK & RODRIGUES,
2001).
A vantagem que as espécies exóticas possuem
de invadir e dominar novos ambientes, deslocando espécies
nativas, está relacionada à ausência
de predadores naturais e parasitas, que não são
deslocados junto com a espécie.
Espécies exóticas que possuem parentesco com
espécies nativas podem cruzar com espécies
e variedades nativas, eliminando códigos genéticos
únicos de populações locais e fazendo
confusão entre limites taxonômicos que eram
outrora claros e bem definidos. Este problema é facilmente
visualizado em alguns organismos aquáticos como peixes,
invertebrados e plantas, devido ao alto número de
gametas e a facilidade de hibridismo.
Formas de introdução de espécies exóticas
No Brasil existem duas principais formas de introdução
de espécies aquáticas: a água de lastro
e a aqüicultura.
A água de lastro é a água utilizada
em navios de carga como contra-peso para que as embarcações
mantenham a estabilidade e a integridade estrutural. Embora
“acidental”, a água-de-lastro é
um dos sérios problemas de introdução
de espécies exóticas, por transportar organismos
por regiões distintas daquelas que originalmente
existiam. Mesmo que grande parte dos organismos transportados
sejam larvas extremamente frágeis, que não
resistem ao transporte, existem muitas outras espécies
que resistem e se mantêm vivas até a troca
da água do interior dos navios. O fato que torna
ainda mais grave essa questão é que mais de
95% dos seres aquáticos tem uma fase larval, podendo
ser transportados na água de lastro. Além
disso, considerando a intensidade do transporte marítimo,
há um enorme aumento da possibilidade da introdução
de algum organismo não desejado em um determinado
ambiente. Um exemplo disso são algumas algas tóxicas
que podem formar grandes florescimentos, ou crescimento
populacional, como o caso das marés-vermelhas.
A
outra forma de introdução de espécies
exóticas no ambiente aquático, a aqüicultura
(cultivo de organismos aquáticos), merece uma atenção
especial por se tratar de uma introdução “proposital”.
Com objetivo estritamente econômico, alguns organismos,
em sua maioria predadores de topo das cadeias ecológicas,
são introduzidos de outros países ou de outras
bacias hidrográficas distantes, sem nenhuma preocupação
ecológica e ambiental.
Na esfera econômica ainda, como alguns empreendimentos
não recebem a orientação técnica
devida, muitas vezes o cultivo de determinadas espécies
exóticas condena a viabilidade da produção,
gerando o abandono da propriedade e a liberação
dos organismos que porventura tenham sobrevivido em rios
ou praias mais próximos. E de qualquer forma, se
existirem casos de sucesso econômico, isso também
pode ser alarmante, pois mesmo que haja todo o cuidado para
que os organismos não escapem das áreas de
cultivo, nenhum sistema até hoje é integralmente
seguro.
Questões econômicas
Outro ponto da aqüicultura é a questão
das espécies exóticas cultivadas introduzidas
por nossos colonizadores. Mesmo que muitos produtores argumentem
que estas espécies movem a economia nacional e que
algumas já são símbolos brasileiros,
há o problema da continuidade de produção.
Para contrapor esse argumento e muitos outros colocados
em relação às espécies exóticas,
faz-se uso das palavras de José Lutzenberger:
“O conquistador não tinha a mínima intenção
de aqui fundar nova civilização, muito menos
de aprender com as culturas existentes. O que ele procurava
era a riqueza imediata. Conceitos como harmonia paisagística,
desde séculos arraigados na Europa Central, eram
inconcebíveis na cabeça do saqueador. Se até
hoje muita beleza e harmonia sobram em algumas de nossas
paisagens, isto certamente não foi intencional. Foi
por incapacidade de destruição ou desleixo
de saque.”
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