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ERVAS E GRAMÍNEAS

Características Gerais

As gramíneas constituem uma família muito extensa de ervas anuais e perenes cuja distribuição é cosmopolita; ocorrem desde áreas do nível do mar até montanhosas. As gramíneas são plantas que se caracterizam em geral como ervas monocotiledôneas de pequeno porte, podem ser anuais ou perenes, rizomatosa ou estolonífera, com caule em geral oco e articulado por nós sólidos, raramente ramificado e mais ou menos lenhoso, folhas lineares, sésseis, com lígula e bainha enrolada em redor do caule, raízes geralmente fasciculares e flores na maioria das espécies, cachos e partículas simples ou compostas por espiguetas.

Herbáceas é o grupo de plantas folhosas, não-lenhosas, comumente formam a camada de vegetação mais baixa de uma comunidade vegetal. São plantas com características de erva.


Importância ambiental


A floresta pode ser dividida em extratos. O extrato superior é chamado de dossel (20-30m), que é composto pelas árvores mais altas, adultas, que recebem toda a intensidade da luz solar que chega na superfície do planeta.

As árvores do interior da mata fazem parte do extrato arbustivo, formado por espécies arbóreas que vivem toda a sua vida sombreadas pelas árvores do dossel.

O extrato herbáceo é formado por plantas de pequeno porte que vivem próximas ao solo, como é o caso de arbustos, ervas, gramíneas e musgos. Apresentam um importante papel ecológico pois na fase inicial de sucessão, proporcionam um microclima favorável para o desenvolvimento de outras plantas que irão suceder.

No interior da mata a luminosidade é pouca, por ser filtrada pelo dossel. As plantas dos extratos inferiores (arbustivo e herbáceo) normalmente possuem folhas maiores, para aumentar a superfície de captação de luz. A perda de folhas, dirigindo um maior gasto de energia para o crescimento do caule e este, sendo fino e longo, também parece ser uma estratégia para a planta alcançar o dossel e conseqüentemente, mais luz.


Características potenciais de invasão

O Levantamento nacional sobre espécies exóticas invasoras tem, registradas para o Brasil, 31 espécies de ervas e gramíneas. Entre as características que potencializam ervas e gramíneas como invasora estão:

· Rápido desenvolvimento,
· Período juvenil curto,
· Período de fertilidade longo,
· Geração de um grande número de descendentes,
· Mais de uma alternativa de reprodução – ex. sementes e vegetativa;
· Capacidade de interferir no crescimento de plantas ao redor
· Sistemas de auto-polinização e polinização cruzada
· Facilidade de adaptação a condições diversas
· Baixa exigência nutricional
· Boa resistência ao fogo e germinação de sementes estimulada por fogo
· Sementes pequenas de fácil dispersão
· Formação de aglomerados densos
· Dispersão por formas diversas (fauna, água, vento)
· Interação com outras espécies exóticas


Espécies invasoras no Brasil


Gramíneas e os locais preferenciais de invasão

· Cynodon dactylon - No Brasil é encontrada infestando lavouras anuais e perenes, beira de estradas e terrenos baldios de quase todo o país. Tolera solos pobres em nutrientes.

· Melinis minutiflora - Lavouras, áreas de plantios florestais, terrenos baldios e beira de estradas e ferrovias. Sempre em ambientes abertos e ensolarados. É fortemente invasora em locais recém-queimados pela ausencia de concorrência.

· Panicum maximum - Beira de estradas, terrenos baldios e solos que outrora foram pastos.

· Eragrostis plana - Campos sulinos e ecossistemas abertos, especialmente áreas degradadas por sobrepastoreio, com compactação de solos, ou fogo, desenvolve-se bem em solos pobres e ácidos. Utiliza margens de rodovias como caminhos para dispersão.

· Cyperus rotundus - As plantas de Cyperus rotundus desenvolvem-se numa grande variedade de ambientes. Solos com as mais diferentes texturas, num amplo espectro de pH e com variados graus de fertilidade, apenas solos muito salinos são inadequados.

· Brachiaria sp., B. brizantha, B. humidicola, B. decumbens, B. dictyoneura, B. ruziziensis, B. subquadripara e B. mutica - Todas as espécies de Braquiaria introduzidas escapam ao cultivo, invadem áreas cultivadas e competem com espécies nativas. As mais agressivas são B. brizantha, B. decumbens, B. humidicola e B. mutica. As duas últimas freqüentemente invadem córregos e riachos, chegando a eliminar totalmente a flora nativa ribeirinha.

Herbáceas e os locais preferenciais de invasão

· Hedychium coccineum e Hedychium coronarium - Vegeta em lugares brejosos, a pleno Sol. Cultivada como planta isolada e em conjuntos ou renques. Apropriada para margens de lagos e espelhos d´água, é uma planta palustre que pode invadir canais, riachos e outras coleções da água pouco profunda, mas o hábitat ideal é o de baixadas úmidas em regiões de temperatura elevada durante todo o ano. Invasora em solos agrícolas brejosos. Infesta lavouras de cacau e de bananas.

· Crocosmia crocosmiiflora - Ao escapar do cultivo se tornaram sub-espontâneas em todas as regiões de altitude do sul do país, onde formam densas massas floridas em terrenos baldios e ao longo de estradas.

· Centella asiática - Principalmente em solos alterados. Prefere lugares úmidos e tolera sombreamento.

· Ammi majus - Prefere solos modificados, férteis e úmidos.

· Isotoma longiflora - Áreas degradadas, beira de estradas

· Chrysanthemum myconis - Tolerante a geada, invade terrenos baldios, pastagens, hortas e beira de estradas. Prefere solos modificados, bem drenados e com boa insolação.

· Cenchrus ciliaris - Lavouras e beiras de estrada. Planta altamente resistente a períodos de estiagem. O Solo mais adequado é o profundo e solto.

· Impatiens walleriana - Lavouras perenes, beira de estradas, terrenos baldios, locais semi-sombreados ricos em matéria orgânica e bem supridos de umidade.

· Tradescantia fluminensis - Áreas alteradas, florestas naturais, zonas ripárias, áreas urbanas e ambientes úmidos.


Curiosidades

· As características alérgicas do pólen das gramíneas são bem conhecidas, foi descrito, documentado e alguns extratos foram purificados e caracterizados. A alergia causada pelo pólen das gramíneas (febre do feno) afeta provavelmente mais que 5% da população européia.

· Capim-gordura (Melinis minutiflora) cresce por cima da vegetação herbácea nativa causando sombreamento e morte dessa vegetação, deslocando espécies nativas de flora e fauna. Também gera aumento da temperatura de incêndios no cerrado, com eliminação tanto das plantas nativas quanto do banco de sementes pré-existente no solo. Estima-se (comunicação pessoal Carlos Romero Martins) que os incêndios naturais atinjam temperaturas entre 700 e 800 graus centígrados, enquanto o capim-gordura vai a 1000 graus.

 

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