| 
AMPHIBIA
(em grego: anfi = dupla / bios = vida)
O Brasil tem maior riqueza de anfíbios do mundo (quase
800 espécies)
Características
Gerais
Os
anfíbios são os primeiros vertebrados quase
terrestres. Como o próprio nome sugere, são
caracterizados por apresentarem, de maneira geral, o ciclo
de vida dependente de dois diferentes ambientes. Assim,
a maioria das espécies possui o desenvolvimento da
fase de larva (girinos) em meio aquático e da fase
adulta em meio terrestre.
A grande maioria dos anfíbios sofre uma série
de transformações desde a eclosão dos
ovos até o alcance da fase adulta, ao que se denomina
metamorfose. Durante esse processo, existe uma radical mudança
na alimentação, respiração e
até nos membros dos animais, pois enquanto a cauda
é absorvida e desaparece, dois pares de patas são
desenvolvidos.
A pele dos anfíbios atuais é rica em glândulas
mucosas e venenosas. Enquanto o muco umedece a pele, protegendo-a
da dessecação e auxiliando na respiração
cutânea, as glândulas de veneno produzem toxinas
que auxiliam principalmente na sua defesa.
Metamorfose de um anfíbio anuro
| Os
anfíbios sofrem metamorfose completa, passando
por mudanças que preparam um organismo aquático
para uma existência terrestre. Dos ovos postos
na água, nascem pequenas larvas (os girinos),
que possuem brânquias externas e cauda, mas não
têm pernas. Com o crescimento e conseqüente
desenvolvimento do girino, as brânquias desaparecem,
as pernas posteriores surgem, a cauda encolhe e as patas
anteriores são formadas. Então, finalmente,
desaparece a cauda, resultando num sapo adulto jovem. |
 |
Classificação
Com cerca de 5.500 espécies e ampla distribuição
geográfica no planeta, os anfíbios são
classificados em três grupos ou ordens:
 |
Urodela
- representada pelas salamandras e tritões (anfíbios
com cauda desenvolvida). Ex.: tritão-dos-alpes
ou salamandra-dos-poços |
 |
Gymnophiona
- representada pelas cobras-cegas (anfíbios
ápodos ou sem membros). Ex.: cobras-cegas |
 |
Anura
- representada pelos sapos, rãs e pererecas,
é a principal ordem (anfíbios sem cauda
na fase adulta). Ex.: sapo-ferreiro, perereca-verde,
rã-manteiga, rã-cachorro. |
Características
ambientais
Por estarem subordinados a diferentes ambientes, por possuírem
a pele bastante permeável e sensível e por
apresentarem outras características peculiares, os
anfíbios são bastante suscetíveis a
variações no ambiente e, por isso, são
considerados importantes bioindicadores de qualidade ambiental.
Reconhecidos como verdadeiros sensores ambientais, denunciando
degradações ocorridas em determinadas áreas,
aparentam sofrer declínios populacionais ao redor
do planeta.
Espécies invasoras no Brasil
· Bufo marinus – Apesar de não
comprovado, esta espécie brasileira nativa da região
amazônica possivelmente apresenta problema para outros
ambientes dentro do país, quando fora de sua área
de distribuição. Na Austrália, por
exemplo, este anfíbio é extremamente invasor..
· Rana
catesbeiana – A principal espécie
exótica invasora de anfíbio no Brasil é
a rã-touro. Essa grande rã, originária
da América do Norte, foi inicialmente introduzida
no país em 1935, com o objetivo de solidificar a
criação de rãs em nível local,
para fins alimentares. Contudo, essa espécie acabou
por escapar de muitos locais de cativeiro e passou a invadir
ambientes naturais e corpos d’água como rios,
lagos e açudes. Com dieta generalista, tem hábitos
carnívoros e compete vorazmente com sapos e rãs
nativos. Também é predador de algas bentônicas,
desequilibrando processos ecológicos em cursos d’água.
· Xenopus
laevis – Anfíbio originário
da África, é reconhecido como potencial espécie
invasora no Brasil. Bastante utilizado em pesquisas científicas
no país, este anfíbio já é responsável
por problemas em outros locais, como no Chile. O maior cuidado
a se ter aqui é a venda sem critério em pet
shops, pois a criação em casa pode facilitar
a fuga dos animais e a colonização de ambientes
naturais. Aquática, a Xenopus seri de muito difícil
controle e é altamente voraz e predadora de muitos
outros animais, podendo causar grandes impactos em ambientes
naturais e à biodiversidade.
Nunca solte animais de
estimação na natureza!
Curiosidades
· Na época reprodutiva, principalmente em
estação chuvosa, os anuros (sapos sem cauda)
são facilmente observados em corpos d’água
e em lugares mais úmidos da floresta. Nessas ocasiões
podem ser ouvidas grandes variedades de sons emitidos pelos
machos que coaxam (vocalizam) para atrair a fêmea
e se reproduzir. Tal fato é mais comum no período
noturno, pois como sua pele é permeável, haveria
muita perda de água (por evaporação)
se vocalizassem durante o dia. Além disso, como os
ovos dos anfíbios são destituídos de
casca para proteção contra a perda de água,
a maioria das espécies necessita de ambientes úmidos
ou aquáticos para a sua deposição.
·
Apesar de possuírem glândulas de veneno (espalhadas
pelo corpo ou localizadas atrás dos olhos), os anfíbios
não são capazes de espirrá-lo, como
muitas pessoas acreditam. A secreção leitosa
produzida pela glândula parotóide somente é
exteriorizada quando esta é comprimida (no momento
em que algum animal morde o anfíbio, por exemplo).
OBS: As imagens que ilustram
essa página são de direitos do Biólogo
Gustavo Bettega, Biólogo Magno Segalla e do IBAMA.
Voltar
|