Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação promove

 simpósio sobre espécies exóticas invasoras

 Rosália Dor

Políticas públicas e o controle e manejo de espécies exóticas invasoras foram temas de simpósio durante o VI Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação (CBUC), realizado no período de 21 a 24 de setembro, em Curitiba pela Fundação O Boticário de Proteção à Natureza.

No primeiro dia do simpósio, Sílvia Ziller, diretora executiva do Instituto Hórus de Desenvolvimento e Conservação Ambiental, falou sobre o contexto mundial das invasões biológicas. Duas espécies, a algaroba e a tilápia, têm causado danos a países da África, como a Etiópia e a Zâmbia. Silvia alertou que a algaroba, utilizada como forrageira, consome grande quantidade de água e deveria ser tratada como uma ameaça à biodiversidade de regiões secas do Brasil, como a caatinga.        

Uma maiores iniciativas de políticas públicas para controle de espécies exóticas invasoras vêm da África do Sul. O país desenvolve um programa chamado Working for Water ou Trabalhando pela Água. Desde 1995, foram retirados pínus e eucalipto de 2 milhões de hectares, em áreas que comprometiam a manutenção de rios que abastecem a população local e provocavam erosão do solo. Com cunho social, o programa ainda gera 18 mil empregos por ano, sendo que 60% da força de trabalho é feminina. Também oferece cursos de capacitação, alfabetização em inglês e repassa a matéria prima das espécies exóticas invasoras para artesãos locais.

 

 

Iniciativas no Brasil

 

 No segundo dia do simpósio, representantes dos Estados brasileiros que desenvolvem iniciativas de controle e de estratégias sobre espécies exóticas invasoras relataram as experiências do Paraná, Espírito Santo, Santa Catarina e de São Paulo. Em estágios diferentes, esses Estados, além de Pernambuco, perceberam a importância do tema para garantir a diversidade biológica das unidades de conservação.

O Paraná foi pioneiro no controle e manejo de espécies exóticas invasoras. João Batista Campos, Diretor de Biodiversidade e Áreas Protegidas do Instituto Ambiental do Paraná, conta que um diagnóstico das unidades de conservação estaduais constatou que todas abrigavam espécies exóticas invasoras. Isso motivou, em 2005, uma portaria para que houvesse controle dessas espécies. Dois anos depois, foi lançada a lista oficial de espécies exóticas invasoras do Paraná, que em 2009 foi atualizada.         

No Espírito Santo, a estratégia de controle de espécies exóticas invasoras está aliada à restauração ecológica das unidades de conservação. Maria Otávia Crepaldi, coordenadora da Comissão de Recuperação de Ecossistemas do Instituto Estadual de Meio Ambiente do Espírito Santo, explicou que dezesseis unidades de conservação do Estado abrigam plantas exóticas invasoras, como piteira, braquiária, sapé, eucalipto, uva-do-japão, capim-gordura e jamelão.

Em São Paulo, a estratégia estadual sobre espécies exóticas invasoras está em fase final de elaboração. Já em Santa Catarina, 16 unidades de conservação têm executado planos de ação para controle dessas espécies. Além disso, o Estado tem investido em capacitação de gestores de unidades de conservação e na construção do Programa Estadual de Espécies Exóticas Invasoras.

                

Manejo e controle de espécies exóticas invasoras

 

O terceiro dia do simpósio sobre Invasões Biológicas no CBUC foi dedicado às técnicas de manejo e controle de espécies exóticas invasoras. Os palestrantes Rafael Dudeque Zenni, Sérgio Zalba e Michele de Sá Dechoum reafirmaram a importância da prevenção e se detectar a presença de espécies exóticas no estágio inicial de invasão e agir com rapidez. Zalba afirmou que o conhecimento científico sobre o tema aumentou, mas não em consonância com a prática de controle nas áreas protegidas. Ressaltou ainda a importância de se envolver as populações do entorno de áreas naturais em atividades de controle e monitoramento de espécies exóticas invasoras.    

 

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