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, 17 de abril de 2005

MINAS

Ataques de javalis

10:32

(Fernanda Odilla /Estado de Minas)



Os javalis tomaram conta da pequena Doresópolis, no Centro-Oeste mineiro, a 280 quilômetros de Belo Horizonte. O Ibama estima que pelo menos 500 animais, completamente asselvajados, estejam vivendo nas matas da região, acabando com plantações, incomodando criações e deixando um rastro de prejuízo para os agricultores.

Há seis anos, um fazendeiro trouxe os porcos de Goiás. Eles fugiram e, desde então, não pararam de se multiplicar. Hoje, a média impressiona: um javali para cada três moradores da cidade. Originários da Europa, eles revelam a perigosa faceta das espécies exóticas invasoras, a segunda maior ameaça ao meio ambiente em todo o planeta. Perdem apenas para o desmatamento.

Por isso, os moradores de Doresópolis esperam ansiosos pela temporada de caça, que pode ser autorizada, excepcionalmente, pelo Ibama este ano, para conter a superpopulação de javalis. O pedido já foi feito e o instituto espera apenas pela decisão judicial para permitir o abate dos animais.

“Como a Justiça não autorizou, ainda não planejamos nada. Mas podemos cadastrar caçadores, como também assumir o abate em parceria com a Polícia Militar do Meio Ambiente”, explica Daniel Vilela, chefe da Fauna Silvestre do Ibama. Ele lembra que, no Rio Grande do Sul, já começou a terceira temporada de caça ao javali, animal que pode pesar mais de 200 quilos.
Em Doresópolis, os javalis ainda não encontraram predadores à altura, apesar da investida dos caçadores. Pelo contrário, eles se transformaram nos mais temidos predadores de pastos e matas. O fazendeiro João Alemar Pinto, de 56 anos, conta que, além das plantações de milho, cana e arroz, os mais famintos atacam bezerros e até pessoas. “A gente só vê o estrago, porque eles só fuçam à noite. Há pouco tempo, morderam um homem que andava com uma porca no mato”, conta João, enquanto caminha pela plantação. O bando de javalis já lhe deu um prejuízo de mais de R$ 1 mil ao comer todo o seu recém-plantado milharal e um bezerro que acabara de nascer.

Histórias de caçador

Os javalis selvagens também rodeiam os chiqueiros, de olho nas porcas no cio. Em Doresópolis, é difícil encontrar um chiqueiro com animais puros. “Aqui é cheio de javaporco. Pelo menos, a carne ficar muito melhor que a do porco comum”, observa Francisco da Costa Neto, de 66, que tem no curral misturas inacreditáveis. A moda está espalhando por toda a região. Fazendeiros se orgulham em contar que prenderam javalis e já exportam a nova espécie para cidades próximas, como Iguatama, Piumhi, Capitólio e Pains. Pesquisadores acreditam que esses cruzamentos, sem um estudo profundo e regras bem definidas, podem trazer danos irreversíveis ao meio ambiente.

“Para espécies exóticas invasoras não causarem prejuízos é preciso um manejo adequado. Isso, em alguns casos, pode significar caça ou queimada controlada”, afirma o biólogo Ricardo Pinto Coelho, lamentando o fato de muitas pessoas ainda encararem o meio ambiente como algo que não pode ser tocado. É exatamemente o que pensa José Messias de Castro, de 38, que não sabe ler nem escrever, mas diz entender de natureza como ninguém. “Se tem em excesso é porque nenhum bicho consegue comê-lo. Então, o homem precisa entrar logo em ação”, diz, referindo-se aos javalis que invadiram sua cidade.

José Messias, que ganhou o apelido Zé Borreira, garante que já saiu mais de 120 vezes para caçar o porco-do-mato, que é capaz de “matar um pit bull em menos de 20 minutos, caminhar 50 quilômetros numa só noite e comer um bezerro inteiro”. Munidos de facão e revólver, os caçadores de Doresópolis garantem que só matam javalis a pedido de donos de plantações destruídas ou para saciar a fome com a deliciosa carne do mamífero. “A gente solta os cachorros, que conseguem encontrar os esconderijos dos javalis, mas nem sempre conseguem encará-los. Então, o jeito é meter chumbo e colocá-los para dentro da barriga”, confidencia um caçador.



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