Nome Científico:  Kappaphycus alvarezii

Reino:   Plantae

Phyllum: Rhodophyta

Classe: Rhodophyceae

Ordem: Gigartinales

Família: Areschougiaceae

Kappaphycus alvarezii (Doty) Doty ex P. Silva 1996.

Sinônimos:                                          Autor:                                          Data:

Chenopodium rubrum var. humile            (Hook.) S. Wats.

Nome comum:                                                          Idioma:

cotoni                                                                         Inglês

kappaphycus                                                              Latim

Descrição morfofisiologica:

Apesar de pertencer ao grupo das algas vermelhas (Rhodophyta) seu colorido varia muito e são comuns espécimes de coloração vermelho-escuro, marrons, amareladas ou em diferentes tonalidades de verde. Esta espécie pode atingir até um metro de comprimento com os ramos mais grossos com até um cm de diâmetro. O talo é bem ramificado, com ramos dispostos irregularmente em todos os planos, embora com tendência a assumir um aspecto semi-dístico. Os ramos afinam para o ápice e, em geral terminam em ponta. O talo é multiaxial e em corte transversal mostra estrutura pseudoparenquimatosa com uma camada cortical com células pequenas e abundantes cloroplastos, uma camada subcortical de células gradualmente maiores e mais vacuolizadas, e uma região medular diferenciada, formada por um conjunto de células alongadas com paredes mais espessadas, entremeadas de filamentos rizoidais. A reprodução sexuada não foi ainda bem documentada e parece não ocorrer no clone que é usualmente cultivado em fazendas marinhas; os tetrasporângios ocorrem em baixa freqüência e se dividem de forma transversal (zonada) (E.C. Oliveira).

Dispersão:

Hidrocórica

Rota de dispersão:

Aquacultura

Reprodução:

Sexuada

Forma biológica:

Alga

Dieta:

Fotoautotrófico

Introdução:

Foi introduzida intencionalmente para maricultura a partir de ramos trazidos de cultivos do Japão, porém oriundos das Filipinas, com o fim de testar a viabilidade ambiental, econômica e social da maricultura desta espécie visando tornar o Brasil auto-suficiente na produção de carragenana (estes trabalhos foram liderados por Edison J. de Paula (USP) e contaram com a colaboração de Ricardo Pereira (IP-SP), e estudantes de Paula e E. C. Oliveira (Paula et al. 1996; Paula & Pereira, 1998; Paula et al., 2003). Experimentos realizados no núcleo de pesquisa do Litoral Norte (APTA), na praia de Itaguá, em Ubatuba (SP), demonstraram a inviabilidade natural da espécie para a região fora das estruturas de cultivo (dez anos de observações). Sua introdução em outras regiões do país requer estudos específicos e medidas de precaução para avaliar seu potencial como espécie invasiva em cada novo local com condições ambientais diversas (E. C. Oliveira, laudo técnico para a SEAP).

Até o momento, após dez anos de sua introdução na região de Ubatuba (SP), a espécie não conseguiu se estabelecer de forma autônoma fora das estruturas de cultivo e, portanto, não pode ser considerada como espécie invasora pelo menos neste local. O cultivo vem sendo monitorado desde a introdução, feita com base na importação de um ramo apical de 2,5 g procedente do Japão, mas originário das Filipinas. A introdução no mar foi feita após um período de quarentena de 10 meses, in vitro, no Laboratório de Algas Marinhas da USP em São Paulo (Paula et al. 1996). No entanto, outra linhagem, procedente da Venezuela, foi introduzida por Miguel Sepúlveda em vários locais da costa brasileira possivelmente sem medidas quarentenárias e sem monitoramento ecológico (E.C. Oliveira).

Relatos detalhados de como se deu a introdução de K. alvarezii no país só estão formalmente documentados em relação à introdução feita no Núcleo de Pesquisa do Litoral Norte (APTA), na praia do Itaguá, em Ubatuba (SP) (23º26,9´S e 045º0,3´W). Não há registros publicados sobre as outras introduções.

Causa da introdução:                                            Forma:               Local:                                   Data:

Por interesse de aquicultura                                  Voluntária            Ubatuba SP                              1998

Uso econômico:

Aquacultura, Outro uso alimentar.

A alga é conhecida como a principal fonte atual de carragenana capa, ficocolóide com grande diversidade de aplicações na indústria alimentícia (laticínios, gelatinas, espessantes). São produzidas em fazendas marinhas mais de 120.000 toneladas secas por ano, correspondendo as vendas de carragenana a montantes superiores a 300 milhões de dólares/ano (McHugh, 2003). Em países do oriente a espécie costuma ser utilizada também para alimentação humana (saladas). Conhece-se ainda seu potencial para o preparo de rações para animais domésticos e peixes, além de poder ser usada no controle de poluição por metais pesados.

No Brasil o uso desta espécie restringe-se a seu cultivo para a extração de carragenana e não há dados confiáveis sobre quanto é produzido e comercializado atualmente no país que importa cerca de 3.000 toneladas de algas secas por mês

Impactos ecológicos:

Embora a espécie tenha sido introduzida em mais de 30 países, o único impacto relevante documentado até agora ocorreu na baía de Kane'ohe no Havaí, com velocidade de dispersão de cerca de 260 m por ano (Rodgers & Cox, 1999). No Brasil, decorridos dez anos de sua introdução na região de Ubatuba, a espécie não conseguiu se estabelecer na natureza de forma autônoma (Paula, 2001; Oliveira & Paula, 2003)

Impacto econômico:

Introduzida unicamente para cultivo e produção de carragenana capa, a alga movimenta grandes quantias de dinheiro pelo mundo. No Brasil sua produção ainda é baixa, porém com grande potencial

Impactos sociais e culturais:

Os impactos sociais do cultivo desta alga são muito significativos, provendo sustento para mais de 50.000 famílias nas Filipinas e Indonésia e trazendo divisas para estes países seja através da exportação da matéria-prima ou do seu processamento in loco para produção de carragenana (Ask et al. 2003). Outro impacto econômico e social altamente significativo foi sua introdução na Tanzânia continental e na ilha de Unguja (Zanzibar), onde é praticamente a única atividade remunerada à que as mulheres têm acesso, e que resulta na exportação de mais de 30.000 toneladas secas. Além do benefício econômico direto dos cultivos eles diminuem a pressão das populações locais sobre os ecossistemas marinhos (Oliveira et al. 2005)

Análise de risco:

No mundo a dispersão antrópica desta alga para várias localidades segue ativamente, visto seu grande potencial econômico para extração de carragenana.

No Brasil a alga deve conquistar mais interessados em seu cultivo, já que há notícias de que indústrias de processamento de carragenana têm interesse em se estabelecer no país e fazendas marinhas já estão implantadas. Estes fatos reforçam a necessidade de séria supervisão pelos órgãos competentes para certificação de que novos cultivos sejam feitos de forma não-prejudicial aos ecossistemas costeiros (Oliveira et al. 2004; E. C. Oliveira, doc. Para SEAP e S. B. Fic. )

Prevenção:

Os estudos relativos ao controle dos cultivos introduzidos em diferentes regiões do mundo, inclusive do Brasil, devem ser tratados caso a caso a não ser quando as condições ambientais são praticamente as mesmas de áreas já estudadas. Dentre as precauções a serem tomadas a quarentena é certamente a primeira delas de modo a introduzir cepas sadias e uni-organísmicas

 

Área de distribuição onde a espécie é nativa:

A espécie é nativa do Indo-Pacífico e o clone cultivado ("tambalang") apareceu espontaneamente em uma fazenda marinha das Filipinas

Ambiente natural:

Ocorre em substratos consolidados em meio a platôs coralíneos, sob hidrodinamismo moderado e da linha das marés mais baixas para o infralitoral

Ambientes preferenciais para invasão:

Marinho costeiro

Regiões tropicais com características ambientais que se assemelhem às condições de seu local de origem: águas claras, com salinidade e temperatura elevadas

Área de invasão:

Ambiente:

Marinho costeiro

Localidade:

Praia do Itaguá

Município / Estado:

Ubatuba / São Paulo

Referência geográfica:             Datum:        Fuso:        Coordenadas X:                          Y:

                                                 SAD 1969                           23º26,9´S                       045º0,3´W

Situação populacional:

Detectada em ambiente natural

Descrição da invasão:

Foi introduzida intencionalmente para maricultura a partir de ramos trazidos de cultivos do Japão, porém oriundos das Filipinas, com o fim de testar a viabilidade ambiental, econômica e social da maricultura desta espécie visando tornar o Brasil auto-suficiente na produção de carragenana (estes trabalhos foram liderados por Edison J. de Paula (USP) e contaram com a colaboração de Ricardo Pereira (IP-SP), e estudantes de Paula e E. C. Oliveira (Paula et al. 1996; Paula & Pereira, 1998; Paula et al., 2003). Experimentos realizados no núcleo de pesquisa do Litoral Norte (APTA), na praia de Itaguá, em Ubatuba (SP), demonstraram a inviabilidade natural da espécie para a região fora das estruturas de cultivo (dez anos de observações). Até o momento, após dez anos de sua introdução na região de Ubatuba (SP), a espécie não conseguiu se estabelecer de forma autônoma fora das estruturas de cultivo e, portanto, não pode ser considerada como espécie invasora pelo menos neste local. O cultivo vem sendo monitorado desde a introdução, feita com base na importação de um ramo apical de 2,5 g procedente do Japão, mas originário das Filipinas. A introdução no mar foi feita após um período de quarentena de 10 meses, in vitro, no Laboratório de Algas Marinhas da USP em São Paulo (Paula et al. 1996). No entanto, outra linhagem, procedente da Venezuela, foi introduzida por Miguel Sepúlveda em vários locais da costa brasileira possivelmente sem medidas quarentenárias e sem monitoramento ecológico (E.C. Oliveira).

Relatos detalhados de como se deu a introdução de K. alvarezii no país só estão formalmente documentados em relação à introdução feita no Núcleo de Pesquisa do Litoral Norte (APTA), na praia do Itaguá, em Ubatuba (SP) (23º26,9´S e 045º0,3´W). Não há registros publicados sobre as outras introduções.

Referência Bibliografica:

Armelin, M J A; Cunha, I L; Paula, E J; Pereira, R T L, Elementos minerais em algas marinhas pela técnica de análise por ativação por neutrons, Belo Horizonte, VII Congr. Ger. Energia Nuclear, 1999, (p.), comunicação em congresso

Ask, E I; Batibasaga, A; Zertuche-Gonzáles, J A; De San, M, Three decades of Kapaphycus alvarezii (Rhodophyta) introduction to non-endemic locations. In. Chapman A.R.O., Anderson R.J., Vreeland V.F. & Davison I.R. (eds). Proceedings of the 17th International Seaweed Symposium, Oxford University Press, 2003, anais de congresso

Contador, C R B, Aspectos reprodutivos e biológicos de Kapaphycus alvarezii (Doty) Doty ex Silva e K. striatum (Schmitz) Doty (Gigartinales, Rhodophyta). Bases para introdução e cultivo de espécies exóticas no litoral brasileiro, Univ. São Paulo, Brasil., 2001, tese

Doty, M S, Eucheuma alvarezii sp. nov.. (Gigartinales, Rhodophyta) from Malaysia. In Taxonomy of economic seaweeds (Abbot, A.I. & Norris, J.N. ed.), La Jolla, California, Sea Grant College Program, 1985, livro

McHugh, D, A guide to the seaweed industry, Roma, FAO Fisheries Tech. Pap. 441, 2003

Oliveira, E C, Algas exóticas nos mares brasileiros, 36, Ciênc. Cultura, 1984, (p.801-803), revista

Oliveira, E C, Macroalgas Marinhas da Costa Brasileira: Estado do Conhecimento, Usos e Conservação Biológica. In: E.L. Araújo et al. (eds) Biodiversidade, Conservação e Uso Sustentável da Flora do Brasil, Recife, Univ. Federal Rural de Pernambuco, 2002, (p.122-126), livro

Oliveira, E C; Paula E J, Exotic seaweeds: Friends or Foes? In Chapman, A.R.O.C., Anderson, R.J., Vreeland, V. & Davison, I.R. (eds). Proc. 17th Int. Seaweed Symp.

CapeTown, Oxford,, Oxford Univ. Press, 2003, (p.87-93), livro

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Paula E J; Oliveira, E C, Macroalgas exóticas no Brasil com ênfase na introdução de espécies visando a maricultura. In: Silva, J.S.V. & Souza, R.C.C.L., Água de Lastro e Bioinvasão, Rio de Janeiro, Interciência, 2004, (p.99-112), livro

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Russel, D J, Introduction of Eucheuma to Fanning Atoll, Kiribati, for the purpose of maricultue, 18, Micronesica, 1982, (p.35-44), artigo

Oliveira, E C; Horta, P A; Amancio, C E; Sant'Anna C L, Evaluation and priority actions for the conservation of the biodiversity of the marine and coastal zone, 2004, website, www.bdt.fat.org.br/workshop/costa/algas

Criado em: 2/3/2007

      Fonte: Instituto Hórus de Desenvolvimento e Conservação Ambiental / The Nature Conservancy 

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