Nome Científico: Coscinodiscus
wailesii
Reino: Protista
Phyllum: Bacillariophyta
Classe: Coscinodiscophyceae
Ordem: Coscinodiscales
Família: Coscinodiscaceae
Coscinodiscus wailesii Gran & Angst, 1931.
Nome comum: Idioma:
diatomácea Português
diatomácea - cêntrica Português
diatom Inglês
centric - diatom Inglês
Descrição
morfofisiologica:
Diatomácea planctônica, solitária, em forma de tambor, 280-500 µm
de diâmetro, com numerosos cloroplastos de forma irregular. Vista cingular -
dependendo do foco, pode ser vista como um cilindro ou um retângulo, com altura
e largura aproximadamente iguais; valva achatada com depressão concêntrica ao
manto, o qual descreve um ângulo de 90º. Vista valvar - circular; área central
hialina (sem perfurações); interestrias radiais a partir da área central;
fasciculação irregular, formada por interestrias mais largas ou por estrias
incompletas, originadas na região central da valva em uma rimopórtula (processo
labiado) ou pequena área hialina; cribra visível em microscopia ótica; presença
de um anel de pequenas rimopórtulas na zona entre a face valvar e o manto;
presença de outro anel de rimopórtulas mais próximo da margem da valva que
inclui duas rimopórtulas maiores que distam de 120 a 180º entre si; as
rimopórtulas do primeiro anel são mais próximas entre si do que as do anel mais
externo; as áreas hialinas são mais evidentes e regulares na região do manto do
que na face valvar.
Descrição morfológica da célula vegetativa em microscopia ótica
segundo Hasle & Syvertsen (1997).
Estão destacados aspectos fisiológicos relevantes, associados à
capacidade da espécie em iniciar e manter florações e/ou para sobrevivência
durante o transporte em tanques de água de lastro. É eurihalina e euritérmica,
crescendo em condições controladas de laboratório em salinidades entre 8 e 36,
assim como em temperaturas entre 1ºC e 28,5ºC (referências em Proença &
Fernandes, 2004). Apesar de ser considerado um organismo de grande porte,
apresenta alta taxa de crescimento e de absorção de nutrientes (referências em
Proença & Fernandes, 2004). Produz grande quantidade de mucilagem, podendo
inibir a predação por consumidores (Boalch & Harbour, 1977). Apresenta
tolerância a grandes concentrações de metais pesados como cobre, cádmio e zinco
(Rick & Durselen, 1995).
Rota de dispersão:
Por transporte marítimo ou fluvial
Vetor de Dispersão:
Navio - Água de lastro
Reprodução:
Sexuada
Assexuada
Forma biológica:
Microalga
Dieta:
Fotoautotrófico
Introdução:
A espécie ocorre em uma vasta área da costa brasileira (da Bahia
ao Rio Grande do Sul) e já causou floração com impactos ecológicos na Baía de
Paranaguá (PR).
Causa da introdução: Forma: Local: Data:
Acidental Baía de Paranaguá 1983
Uso econômico:
Impactos
ecológicos:
Uma floração com produção de grande quantidade de mucilagem inibiu
a predação por consumidores do plâncton na costa sul da Inglaterra (Boalch
& Harbour, 1977). Na Baía de Paranaguá, PR, a floração da espécie resultou
em competição por nutrientes e exclusão temporária de demais espécies do
fitoplâncton; a produção de mucilagem pode ter inibido a predação por
consumidores; e a depleção temporária de oxigênio afetou a biota marinha em
geral (Fernandes et al., 2001).
Impacto econômico:
A floração desta espécie foi associada ao entupimento de redes de
pesca devido à produção de mucilagem, o que afetou a indústria pesqueira na
costa sul da Inglaterra
(Boalch & Harbour, 1977). Há registro de competição por
nutrientes com a espécie de macroalga Porphyra sp. no Japão (Fryxell &
Hasle, 2003).
Impactos sociais e
culturais:
O impacto social pode ser um reflexo direto ou indireto do impacto
econômico causado pela floração da espécie.
Prevenção:
1.No mundo e no Brasil: Medidas de gestão e controle segundo
preconizadas na Convenção de Água de Lastro da IMO (Organização Marítima
Internacional).
2.No mundo e no Brasil: Seguir regulamentação que rege a
importação de organismos para maricultura (quarentena).
3.No Brasil: Cumprimento da NORMAM 20. Troca de água de lastro
pelos navios. Inspeção nos portos.
4.Monitoramento ambiental
Área
de distribuição onde a espécie é nativa:
Indeterminada. Descrição original da espécie a partir de material
coletado na costa oeste
Ambiente natural:
Ambiente pelágico; costeiro e estuarino; tropical e temperado.
Ambientes preferenciais
para invasão:
Costeiro, estuarino, tropical e temperado. Descrição da introdução
sintetizada em Fernandes et al. 2001: Esta espécie foi descrita com material da
costa pacífica da América do Norte (Estado de Washington) em 1931. Nesta época
foi registrada em vários locais da costa pacífica da América do Norte (até o
sul da Califórnia) e no Japão. Somente nas décadas de 80 e 90 foram encontradas
nas costas da Europa e América do Sul. No Brasil, o registro publicado de sua
primeira ocorrência é para a costa do Estado do Paraná, mas já é detectada da
Bahia ao Rio Grande do Sul. Trata-se de uma espécie de grande porte e fácil
identificação que dificilmente passaria despercebida. O transporte de células
viáveis por água de lastro de navios é possível devido à sua capacidade de
formação de células de resistência.
Área de invasão:
Ambiente:
Marinho costeiro
Localidade:
Litoral da Bahia
Município / Estado:
Ilhéus / Bahia
Situação populacional:
Invasora
Descrição da invasão:
A espécie ocorre em uma vasta área da costa brasileira (da Bahia
ao Rio Grande do Sul) e já causou floração com impactos ecológicos na Baía de
Paranaguá (PR)
Área de invasão:
Ambiente:
Estuarino
Localidade:
Litoral do Paraná
Município / Estado:
Paranaguá / Paraná
Situação populacional:
Invasora
Descrição da invasão:
A espécie ocorre em uma vasta área da costa brasileira (da Bahia
ao Rio Grande do Sul) e já causou floração com impactos ecológicos na Baía de
Paranaguá (PR)
Área de invasão:
Localidade:
Litoral do Rio de Janeiro
Município / Estado:
Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
Situação populacional:
Invasora
Descrição da invasão:
A espécie ocorre em uma vasta área da costa brasileira (da Bahia
ao Rio Grande do Sul) e já causou floração com impactos ecológicos na Baía de
Paranaguá (PR)
Área de invasão:
Ambiente:
Estuarino
Localidade:
Litoral do Rio Grande do Sul
Município / Estado:
Rio Grande / Rio Grande do Sul
Situação populacional:
Invasora
Descrição da invasão:
A espécie ocorre em uma vasta área da costa brasileira (da Bahia
ao Rio Grande do Sul) e já causou floração com impactos ecológicos na Baía de
Paranaguá (PR)
Área de invasão:
Ambiente:
Marinho costeiro
Localidade:
Litoral de Santa Catarina
Município / Estado:
Itajaí / Santa Catarina
Situação populacional:
Invasora
Descrição da invasão:
A espécie ocorre em uma vasta área da costa brasileira (da Bahia
ao Rio Grande do Sul) e já causou floração com impactos ecológicos na Baía de
Paranaguá (PR)
Referência Bibliografica:
Boalch,
G. T & Harbour, D. S, Unusual diatom off the coast of south-west England
and its effect on fishing, 269, Inglaterra, Nature, 1977, (p.687-688), artigo
Fernandes,
F. L; Zehnder-Alves, L; Bassfeld, J. C, The recently established diatom Coscinodiscus
wailesii (Coscinodiscales, Bacillariophyta) in Brazilian waters. I: Remarks
on morphology and distribution, 49, Brasil, Phycological Research, 2001,
(p.89-96), artigoFryxell, G. A & Hasle, G. R, Taxonomy of harmful diatoms. In
Hallegraeff, G. M.; Anderson, D.M. & Cembella, A.D. (eds.), Monographs on
Oceanographic Methodologies, 793pp, Paris, Unesco, 2003, (p.465-509), artigo
Hasle, G. R; Syvertsen, E. E, Marine Diatoms. In Tomas, C. R.(Ed) Identifying Marine Phytoplancton, Florida, Academic
Press, 1996, (p.5-385), livro
Nagai, S; Hori, Y; Manabe, T & Imai, I,
Morphology and rejuvenation of Coscinodiscus wailesii Gran
(Bacillariophyceae) resting cells found in bottom sediments of Harima-Nada, Seto
Island Sea, Japan, 61, Japão, Nippon Suisan Gakkaishi, 1995, (p.179-185),
artigoProença, L. A. O & Fernandes, L. F, Introdução de microalgas no
ambiente marinho: impactos negativos e fatores controladores In: Água de Lastro
e Bioinvasão, Rio de Janeiro, Interciência, 2004, (p.77-97), livro
Rick,
H. J & Durselen, C. D, Importance and abundance of the recently
established species C. wailesii.
Gran and Angst in the German Bight, 49, Alemanha, Helgolander Meeresuntersuchungen,
1995, (p.355-374), artigoRound, F. E; Crawford, R. M & Mann, D. G, The
Diatoms: Biology and Morphology of the Genera, Nova York, 1990, (p.), livro
Criado em: 2/3/2007
Fonte:
Instituto Hórus de Desenvolvimento e Conservação Ambiental / The Nature
Conservancy
www.institutohorus.org.br
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