Nome Científico: Alexandrium tamarense

Reino: Protista

Phyllum: Dinoflagellata

Classe: Dinophyceae

Ordem: Gonyaulacales

Família: Goniodomaceae

Alexandrium tamarense (Lebour) Balech 1992.


Nome comum:
                                            Idioma:

dinoflagelado                                                Português

dinoflagellate                                                Inglês


Descrição morfofisiologica:

Descrição da célula vegetativa em microscopia ótica segundo Taylor et al., 2003: Dinoflagelado tecado, solitário (comprimento = 22-51µm ; transdiâmetro = 17-44µm) ou formando par de células; com forma pentagonal, a epiteca pode parecer como se tivesse“ombros” e o lobo posterior esquerdo pode ser ligeiramente maior que o direito; cíngulo com defasagem na porção ventral voltada para a esquerda, equivalente à largura do próprio cíngulo; citoplasma inclui núcleo alongado em forma de “C” e cloroplastos.Tabulação e detalhes do gênero: P, 4’, 6’’, 6c, 9-11s, 5’’’,1p, 1’’’’. Complexo do poro apical (CPA) apresenta uma placa triangular (Po) e uma abertura em forma de vírgula naporção mais interna. Detalhes da espécie: a 1’ toca o CPA que varia de um triângulo largo a um triângulo estreito; as margens da 1’ (com 5 lados) são relativamente retas, embora a superior direita possa ser curva; presença de poro acessório na Po e também na placa posterior do sulco quando as células estão em pares; placa anterior do sulco é estreita com uma curvatura. Esta espécie pertence a um complexo que inclui A. catenella e A. fundyense, devido à dificuldade na análise de características morfológicas, genéticas e ecofisiologia de produção de saxitoxinas (Scholin, 1998).

Descrição do cisto em microscopia ótica segundo Matsuoka & Fukuyo, 2003:

Célula cilíndrica com extremidades arredondadas (38-56µm de comprimento e 23-32µm de largura), sem ornamentações, com arqueópilo em forma de fenda (pouco conhecido em detalhe); idêntico a cistos de A. catenella, sendo necessária a germinação para identificação precisa.

Estão destacados aspectos fisiológicos relevantes, associados à capacidade da espécie em iniciar e manter florações e/ou para sobrevivência durante o transporte em tanques de água de lastro. Esta espécie possui caráter euritérmico e eurihalino, o que justifica sua ampla distribuição mundial (Taylor, 1985 in Persich, 2001). Tem capacidade de formar cistos de resistência (Matsuoka & Fukuyo, 2003).

Rota de dispersão:

Por transporte marítimo ou fluvial

Maricultura

Vetor de Dispersão:

Água

Navio - Água de lastro

Reprodução:

Sexuada

Assexuada

Forma biológica:

Microalga

Dieta:

Fotoautotrófico

Introdução:

Descrição da introdução sintetizada em Persich, 2001: O primeiro registro para esta espécie na região do Atlântico Sul Ocidental ocorreu na Argentina em forma de floração no ano de 1980. No Uruguai, o primeiro registro se deu na primavera de 1991, também em forma de floração, que se repetiu em 1992, 1993, 1995 e 1996. No Brasil, a primeira ocorrência foi em agosto de 1996 na Praia do Cassino (RS). Culturas brasileiras desta espécie apresentam duas assinaturas genéticas, uma da costa oeste e outra da costa leste da América do Norte. A escassez de dados de biologia molecular para diferentes regiões da América do Sul dificulta a interpretação de possíveis mecanismos de introdução em águas brasileiras. Há três hipóteses que podem ter agido isoladamente ou em conjunto: transporte por correntes marítimas a partir da introdução por água de lastro na Argentina/Uruguai, introdução secundária por navegação costeira na América do Sul e introdução direta por água de lastro no Brasil.

Causa da introdução:                               Forma:           Local:                           Data:

                                                            Acidental         Rio Grande - RS                 1996

Uso econômico:

Impacto econômico:

Perigo potencial de contaminação de recursos pesqueiros (ostras, mariscos) de importância econômica com saxitoxinas e conseqüentes perdas econômicas devido a suspensão de consumo e comercialização destes produtos (Hallegraeff et al., 2003). Impacto ainda não relatado no Brasil.

Impacto na saúde:

Produz a saxitoxina que pode acumular em certos organismos marinhos como moluscos e crustáceos que servem de vetor para demais níveis tróficos; em animais de sangue quente, causa a intoxicação por PSP (Paralythic Shellfish Poisoning), com os seguintes sintomas clínicos: diarréia, náusea, vômito levando a amortecimento da boca e lábios, fraqueza, dificuldade de fala e parada respiratória (Hallegraeff et al., 2003). Impacto ainda não relatado no Brasil.

Impactos sociais e culturais:

O impacto social pode ser um reflexo direto ou indireto do impacto econômico e do impacto na saúde causado pela floração da espécie. Impacto ainda não relatado no Brasil.

Prevenção:

1.No mundo e no Brasil: Medidas de gestão e controle segundo preconizadas na Convenção de Água de Lastro da IMO (Organização Marítima Internacional).

2.No mundo e no Brasil: Seguir regulamentação que rege a importação de organismos para maricultura (quarentena).

3.No Brasil: Cumprimento da NORMAM 20. Troca de água de lastro pelos navios. Inspeção nos portos.

4.Monitoramento ambiental

Área de distribuição onde a espécie é nativa:

Indeterminado. A descrição original da espécie (então como Gonyaulax tamarensis) tem sua espécie tipo, depositada em herbário, estabelecida com material coletado em águas do sul da Inglaterra.

Ambiente natural:

Ambiente pelágico; costeiro; tropical e temperado

Ambientes preferenciais para invasão:

Costeiro

Costeiro, tropical e temperado.

Referência Bibliografica:

Fensome, R. A; Taylor, F. J. R; Norris, G; Sarjeant, W.A.S; Wharton, D. I & Williams, G. L,

A Classification of Living and Fossil Dinoflagellates., New York, Sheridan Press, 1993, artigo

Fernández, M. L; Shumway, S & Blanco, J, Management of shellfish resources. In Hallegraeff, G. M.; Anderson, D.M. & Cembella, A.D. (eds.): Manual on Harmful Marine Microalgae, Monographs on Oceanographic Methodologies, 11, Paris, Unesco, 2003, (p.657-692), artigo

Matsuoka, K & Fukuyo, Y, Taxonomy of cysts. In Hallegraeff, G.M.; Anderson, D.M. &Cembella, A.D. (eds.), Manual on Harmful Marine Microalgae, Monographs on Oceanographic Methodologies, 11, Paris, Unesco, 2003, (p.563-592), artigo

Persich, G. R, Estudos sobre a fisiologia, genética e toxicidade do dinoflagelado Alexandrium tamarense (Lebour) Balech do sul do Brasil, Rio Grande-RS, Universidade do Rio Grande, 2001, artigo

Scholin, C. A, Morphological, genetic and biogegraphic relationships of toxic dinoflagellates Alexandrium tamarense, A. catenella e A.fundyense. In Anderson, D. M., Cembella, A. D., Hallegraeff, G. M. Physiological Ecology of Harmful Algal Blooms, Alemanha, Springer, 1998, (p.13-27), artigo

Taylor, F. J. R; Fukuyo, Y; Larsen, J & Hallegraeff, G. M, Taxonomy of harmful dinoflagellates. In Hallegraeff, G.M.; Anderson, D.M. & Cembella, A.D. (eds.), Manual on Harmful Marine Microalgae, Monographs on Oceanographic Methodologies, 11, Paris, Unesco, 2003, artigo

Criado em:   2/3/2007

Fonte: Instituto Hórus de Desenvolvimento e Conservação Ambiental / The Nature Conservancy 

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