Nome Científico:        Cyperus rotundus

Reino: Plantae

Phylum: Magnoliophyta

Classe: Liliopsida

Ordem: Cyperales

Família: Cyperaceae

Cyperus rotundus L..

Sinônimos:                                       Autor:                                       Data:

Cyperus tuberosus                         Roxb.

Cyperus tetrastachyos                  Desf.

Cyperus stoloniferum pallidus      Boeckeler

Cyperus purpureo-variegatus        Boeckeler

Nome comum:                                                     Idioma:

tiririca                                                                       Português

capim-dandá                                                            Português

junça-aromática                                                      Português

alho                                                                           Português

tiririca-comum                                                          Português

tiririca-vermelha                                                       Português

três-quinas                                                               Português

junça                                                                        Português

capim-alho                                                               Português

alho-bravo                                                                Português

Descrição morfofisiológica:

Planta herbácea com porte entre 15 - 50 cm em nossas condições. A sub-espécie tuberosus pode chegar a 1 m. Pelo intenso desenvolvimento de cadeias de pseudo-tubérculos no solo forman-se clones de considerável tamanho. De cada bulbo basal forma-se, contudo, apenas um conjunto de folhas e uma haste floral, não sendo as plantas, por isso, cespitosas. A partir do bulbo basal inicia-se a formação de extenso sistema de rizomas que se desenvolve horizontalmente e que pode se aprofundar até 40 cm. Os rizomas em si não tem gemas, mas de espaço a espaço ocorre uma hipertrofia, semelhante a um tubérculo, na qual ocorrem gemas. As hipertrofias tem formato arredondado ou irregular, com até 25 mm de comprimento. Inicialmente são brancas e suculentas, tornando-se depois escuras ou negras, recobertas de escamas membranáceas que quando dessecadas deixam escaras. O sistema radicular é formado a partir de bulbos basais e das hipertrofias e é muito extenso. As raízes são fibrosas e finas e aprofundam-se a mais de um metro. A base de cada planta é constituída de uma estrutura engrossada, chamada bulbo basal, da qual emergem as folhas e hastes florais. De cada clone (conjunto de hipertrofias e bulbos interligados por rizomas) emerge um grande número de manifestações aéreas, constituídas por folhas e hastes com inflorescência. Essas emergências podem ser bastante próximas, porém não dão à planta um aspecto cespitoso. Dos diversos clones existentes numa área ocorre um grande número de manifestações aéreas, sendo comum em áreas densamente infestadas, que ocorrem 2.000 a 4.000 emergências por metro quadrado. Os caules emergem isoladamente de cada bulbo basal. Altura de 10 - 40 cm, sendo que na sub-espécie tuberosus podem chegar a 1 m. Seção trígona com ângulos arrendondados, com até 5 mm de espessura, sendo que na parte basal, logo acima do bulbo e sob as bainhas a seção pode ser arredondada. Superfície lisa e glabra, verde ou verde-amarelada. As folhas são predominantemente basais, bainhas membranáceas, fechadas. Lígulas ausentes. Lâminas lineares, planas, sulcadas longitudinalmente, de comprimento em geral menor que o do caule, com 3 - 5 mm de largura, de ápice abruptamente agudo, margens escabrosas, coloração verde-escura, brilhante. Na parte apical do caule forma-se uma antela de eixos simples ou pouco ramificados. Os raios, em número de 3 - 9, têm comprimentos irregulares, geralmente não passando de 5 cm, sendo guarnecidos por prófilos. Na parte apical de cada raio há um conjunto de espiguetas lineares, de inserção oblíqua muito vistosas pela coloração purpúrea ou vermelho-acastanhada, típicas da espécie. A inflorescência de aspecto típico e coloração vermelho-acastanhada constituem valioso auxílio na identificação. Pode haver certa confusão com C. esculentus. As caracteristicas a seguir são típicas de C. rotundus: hipertrofias formando cadeias com rizomas finos e fibrosos, sendo que a cadeia não aparece em plantas novas; hipertrofias com gosto amargo; multiplicação quase só por hipertrofias; inflorescência com espiguetas avermelhadas

 ou vermelho-acastanhadas.

Dispersão:

Anemocórica

Reprodução:

Sementes

Vegetativa

Rizomas

Forma biológica:

Gramínea

Herbácea

Introdução:

Acredita-se que a introdução no Brasil tenha se dado através dos navios mercantes portugueses, em tempos coloniais. O estabelecimento inicial teria sido em zonas portuárias como as de Salvador, Recife, Rio de Janeiro, Santos e São Vicente, com posterior a

Causa da introdução:                                      Forma:             Local:                                 Data:

Em associação com comércio internacional    Acidental           Litoral  Nordeste e                 1600

                                                                                                     Centro-oeste

Uso econômico:

A planta ajuda a fixar o solo, particularmente em regiões inóspitas para outra espécies vegetais. Os tubérculos já foram muito usados na farmacopéia popular.

Impactos ecológicos:

As plantas de C. rotundus produzem toxinas que afetam a germinação, a brotação e o desenvolvimento de outras espécies. Essas toxinas são formadas especialmente nos tubérculos e liberados mais intensamente durante a decomposição dos mesmos. Parcialmente são adsorvidas por colóides no solo e por isso o efeito alelopático é mais intenso em solos com baixa capacidade de adsorção. A espécie também pode ser hospedeira alternativa para fungos como Fusarium spp. E para diversas espécies de nematóides.

Impacto econômico:

Muito freqüente em hortas e jardins, em pomares e lavouras. Muitas culturas de importância

econômica são afetadas, como milho, feijão, algodão e cana-de-açucar. Certamente é na

cana que mais se reflete, cerca de 1 milhão de hectares de cana apresentam infestação por

C. rotundus no Brasil. Os prejuízos decorrem da competição durante todo o ciclo, mas

especialmente na fase inicial da cultura e nas reformas é que a invasora ocasiona maiores

problemas.

Controle mecânico:

Em temperatura baixa o desenvolvimento e a multiplicação se dão com lentidão. Congelamento do solo mata os tubérculos. Estes também perdem viabilidade se dessecados; um revolvimento do solo em época seca ajuda a diminuir o número de tubérculos viáveis na área. A parte aérea é sensível a sombreamentos, podendo-se até eliminá-la com sombreamento prolongado. Da parte subterrânea, todavia, ocorrem rebrotamentos. A fotossíntese é efetuada pelo ciclo C-4, altamente eficiente em regiões quentes. Por isso  o controle é muito difícil, tanto por métodos de manejo como por herbicidas.

Controle químico:

TODO PROCESSO DE CONTROLE DEVE SER REALIZADO COM EQUIPAMENTO DE SEGURANÇA E, NO CASO DE USO DE PRODUTOS QUÍMICOS, SEGUINDO A ORIENTAÇÃO DO FABRICANTE E OBSERVANDO CUIDADOS PARA EVITAR IMPACTOS AMBIENTAIS PARALELOS.

A espécie é susceptível a diversos herbicidas, incluindo glifosato porém, se o controle químico for feito de forma isolada, o resultado é em geral desapontador pois após algum tempo ocorrem rebrotas a partir de tubérculos existentes no solo.

Área de distribuição onde a espécie é nativa:

O provável local de origem é a Índia. Hoje é uma das espécies com maior amplitude de distribuição no mundo.

Ambientes preferenciais para invasão:

As plantas de Cyperus rotundus desenvolvem-se numa grande variedade de ambientes. Solos com as mais diferentes texturas, num amplo espectro de pH e com variados graus de fertilidade, apenas solos muito salinos são inadequados.

Área de invasão:

Localidade:

Parque Estadual do Brigadeiro

Município / Estado:

Fervedouro / Minas Gerais


Área de invasão:

Localidade:

Não informado

Município / Estado:

Tavares / Paraíba

Situação populacional:

Invasora

Área de invasão:

Ambiente:

Refúgios Vegetacionais

Localidade:

Parque Estadual do Pico Paraná, cume do Pico Paraná, ponto culminante do sul do Brasil com 1877 m de altitude

Município / Estado:

Campina Grande do Sul / Paraná

Situação populacional:

Estabelecida

Descrição da invasão:

A espécie está presente em duas áreas de clareira abertas por montanhistas para montagem de barracas para acampamento. Ambas as áreas estão com solo totalmente descoberto de vegetação e são extremamente susceptíveis ao estabelecimento de espécies colonizadoras agressivas, como é o caso do Cyperus rotundus. Uma das áreas foi abandonada pelos montanhistas e agora a espécie se encontra estabelecida nesse local, a outra área ainda está em uso e a espécie já colonizou as bordas da clareira. A princípio, a espécie não parece ter a cÁrea de Proteção Ambientalcidade de invadir as zonas de vegetação preservada (refúgios vegetacionais altomontanos), em função da densidade de espécies por m², mas a partir do momento que a espécie já está estabelecida no local, as chances de um problema de invasão biológica são altas.

Bibliografia:

Kissmann, K G, Plantas Infestantes e Nocivas, 2, 1, BASF, 1997, (p.222-228), Livro

Bromilow, C, Problem Plants of South Africa, 1, South Africa, Briza Publications, 2001, (p.68)

Hall, D W; Vandiver, V V; Ferrell, J A, Purple Nutsedge, Cyperus rotundus L., SP 37, Florida, Florida Cooperative Extension Service, Institute of Food and Agricultural Sciences, 1991,

Artigo, http://edis.ifas.ufl.edu/FW015

Ojasti, J; Jiménez, E G; Otahola, E S; Román, L B G, Informe sobre las Especies Exóticas en Venezuela, Caracas, Venezuela, Ministerio del Ambiente y de los Recursos Naturales, 2001

Criado em:    12/28/2004                                                                  

Fonte: Instituto Hórus de Desenvolvimento e Conservação Ambiental / The Nature Conservancy 

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